Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

28 janeiro, 2024

O ladino não oferecia
prata, safira ou diamante
ouro, bauxita ou manganês

a sua esmeralda
era seu pretuguês 
com acento de Gana.


Martha 

15 maio, 2023



corpo
onde tudo é passível a dor
até mesmo o que não é
corpo


arte: dimitri tsykalov


 

 

Um pássaro morrediço 

se debate em meu coração


Estertores bombeiam

por tudo que eu sou

sangue e susto.

11 janeiro, 2023

Subindo as escadas

da minha casa

- com as pernas nuas -

vejo 


sou eu subindo

as tábuas de madeira 

da escada de Vó Guió.


Como se fosse hoje.


M.



Coração na mão


pode ser pancreatite

ou pescoço quebrado


ao fim e ao cabo

o coração sai pela boca


é ele que se retira,

coração despedaçado.


Martha



05 dezembro, 2022

 

eu posso tomar sol nas pernas, perto das plantas, 
de camisola,

porque coloquei a cadeira de balanço

- Herança de Leonor
  avó das meninas
  mãe de Haroldo -

na varanda.

14 setembro, 2022

 Ele abre meus lábios

e admira


Ele abre meus lábios e

diz que nunca viu

cor mais bonita.

04 setembro, 2021


Ogum, orixá ferreiro,  

deu a sua espada para Oxaguiã

Oxaguiã, orixá funfun,

é o guerreiro da paz

Primordial:

não há paz sem cabeças cortadas.


Martha

Sarau "Bahia, quem te conta?"


                                                     
Sarau "Bahia, quem te conta?"
04 de maio, terça.
19h30
República AF (Youtube)
Aninha Franco, Rita Assemany, e Levina Ferraz

02 fevereiro, 2021

A mulher e o mar

Uma vez tive medo do mar.  
Era noite em Guaibim e o céu e o mar se tornaram um. Insuportável vastidão, tudo se fortaleceu  incompreensível.
Foi a única vez que tive medo do oceano. Mal podia olhar. 

30 março, 2020


Silêncio diante do grande rei da Terra 
Vergado por saber a dor
Atotô, Obaluayê 
Pai da quentura
O corpo é tronco
Os pés  são  raízes
Xaxará 
Conta cabaça búzio 
É preciso coragem pra seguir em frente
Atotô, Omolu
Nervura da palha de dendê
Nervura da palha da costa
Filamentos de cura

Martha

Sasará Ati Aso Iko - Xaxará com manto de palha da Costa. 2003
Mestre Didi

16 janeiro, 2019


A procura por você 
foi longa. E ainda não terminou.

Fui ao seu encontro 
como quem busca
um velho amante,
sem disfarce.

Como o pássaro que não teme
e se demora a comer 
na palma da mão do homem.

Martha



14 outubro, 2018

24 julho, 2018

A língua violenta da infância perdura.
Meu coração ressoava.
A infância era pretérita imperfeita.


Martha

20 julho, 2018

Desnorteamento

Não sei de onde vem
a velocidade do mal estar.
Errei o caminho.
A cigarra fere a acácia
e deixa que o secreto escorra
entre a raiz e os ramos.
Quero fazer do meu corpo
um arco nu e alongado
mas o veneno  da Língua
me fere como um machado.
Faço um gesto carregado
de medo e náusea - 
secreta mistura dos movimentos 
de minha mãe, avós, bisavós.
Na seiva corrente dessas mulheres,
eu estou à deriva.

Martha


18 maio, 2018

Sonhei jorrando leite pelos peitos
sonhei com uma menina

Os filhos 
que não tive (mesmo assim, meus)
vêm mamar à noite.

Martha  

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

Muadiê Maria