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10 abril, 2009

Foto:Diane Arbus

o medo destrói as sinapses, carcome os neurônios,
o medo crava suas unhas, finca suas garras,
o medo consome.

o medo paralisa, 

o medo é palavra petrificada,
o medo cria morada, o medo se instala.

o medo tira o fôlego, faz duvidar, 

o medo emudece, dá dor de cabeça, 
vômito e febre, o medo faz delirar.

o medo é ácido, cansa, 

congela o sangue nas veias,
devora do centro pra periferia, 
o medo é pura agonia.

o medo é sádico,
tira pedaços, 
range os dentes, arrasta correntes, 
o medo tritura.

o medo desatina, faz desviar do caminho,
o medo não deixa esquecer, 
te acompanha desde menino,
o medo ri e em sua cara cospe.

M.

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