Mostrando postagens com marcador goulart gomes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador goulart gomes. Mostrar todas as postagens

04 julho, 2011




O Touro

com sorte verás o touro
no caminho para casa
em seu nariz uma argola
brilho dourado nas asas

um chifre mocho da queda
que tomou em uma escada
e a língua verde-oliva
pela erva ruminada


os olhos são como as luas
do planeta marciano
ápis, nandi, touro minos
boi do egypto, boi troiano


com sorte o touro verás
sem ires sequer a granada
voando sobre o cerrado
galopando na chapada

talvez, se abrires os olhos

enxergarás muito mais
o touro e sua manada
povoando pantanais

se o veres, beija o focinho
do bicho, que é pra dar sorte
alisa seu pelo de prata

acima da anca forte

com sorte verás o touro
e seu rabo de dois metros
com suas patas de bronze
e o falo como um cetro

talvez ele até puxe prosa
se estiver animado
e te conte como virou
este animal encantado

joga basquete em chicago
aqui e acolá puxa arado
no mac vira alimento
na índia, deus, seja louvado

europa e pasífae
habitaram seu harém
ele pasta na manjedoura
em Wall Street também

com sorte verás o touro
se tiveres merecimento
guarde um tanto do estrume
que é o melhor ungüento

e quando estiveres indo

não faças qualquer alvoroço
com uma guirlanda de flores
adorne o seu pescoço

que o touro ficará
muito mais que agradecido
pois o boi é caprichoso
boi-tatá, boi garantido

Goulart Gomes


Por sorte vi o Boi Brilhante

boi bonito, boi valente.

Hoje eu morro de saudade.








Rua do cu do boi, Valença, Bahia.
Fotos: Haroldo Abrantes
2007





03 julho, 2007

O Touro

com sorte verás o touro
no caminho para casa
em seu nariz uma argola
brilho dourado nas asas

um chifre mocho da queda
que tomou em uma escada
e a língua verde-oliva
pela erva ruminada

os olhos são como as luas
do planeta marciano
ápis, nandi, touro minos
boi do egypto, boi troiano

com sorte o touro verás
sem ires sequer a granada
voando sobre o cerrado
galopando na chapada

talvez, se abrires os olhos
enxergarás muito mais
o touro e sua manada
povoando pantanais

se o veres, beija o focinho
do bicho, que é pra dar sorte
alisa seu pelo de prata
acima da anca forte

com sorte verás o touro
e seu rabo de dois metros
com suas patas de bronze
e o falo como um cetro

talvez ele até puxe prosa
se estiver animado
e te conte como virou
este animal encantado

joga basquete em chicago
aqui e acolá puxa arado
no mac vira alimento
na índia, deus, seja louvado

europa e pasífae
habitaram seu harém
ele pasta na manjedoura
em Wall Street também

com sorte verás o touro
se tiveres merecimento
guarde um tanto do estrume
que é o melhor ungüento

e quando estiveres indo
não faças qualquer alvoroço
com uma guirlanda de flores
adorne o seu pescoço

que o touro ficará
muito mais que agradecido
pois o boi é caprichoso
boi-tatá, boi garantido

Goulart Gomes
Por sorte vi o Boi Brilhante
boi bonito, boi valente.






Rua do cu do boi, Valença, Bahia.

Fotos: Haroldo Abrantes

25 abril, 2007

assim como eu


Assalariado

vende a vida inteira
pelo pão de cada dia
a liberdade bóia, fria.

Goulart Gomes

Veja aqui

28 novembro, 2006

A Legítima Desestória do Incansável Afrígio Aroeira

A felicidade é estradeira
para então necessário é dissolver costuras
revirar as bainhas do silêncio e
indagar das libélulas o caminho do oráculo
onde se vendem promessas
e mistérios de semana santa
Também é preciso inferir o medo
mensurar as forças do escuro
desmontar o muro, pessoar as coisas
e represar o mito
debulhando as pegadas no cascalho
É que largaram pelos quintos
as madrugadas e cansaram
de contar estios
Afrígio, duplicativo
após muito entrevistar
formigas parideiras e perseguir calangos
pensou tê-la achado
num curral de vidro. Não era
Cansou de serrar cornos
viandou pelos chãos
até pocar os calos num quintal de luzes
onde a desinfância tinha valor marcado
na tatuagem das coxas
pela fissão da cachaça:
entremeou, desgastou os olhos
chorando branco. E andou. Não era
Aroeira esmagou estrume
e deixou asfalto fubento
xingou o tempo;
de raiva, descarregou o cravinote
na primeira nuvem que voava baixo
e capinou o buço a punhal
transbordou o embornal, de cheia
ribanceirou, ribanceirou
e se esbarrou na capital
foi dar com os quartos no tacho verde
de salmoura e areia;
desdentou de rir vendo as moças nuas
lambendo o sol
Intentou desentristecer a cidade
de tanta luz amarela
beirou as sarjetas e desancou os postes
virou bicho quando lhe roubaram
as estrelas
(não foi, era só um furo n’algibeira)
Desgostou dos fios. Era tudo enorme
sem cumieira. Rebuscou os vãos
com olhos de vermelho
fez-se escravo dos ponteiros. Não era
Afrígio pariu quimeras e teve
crias para abençoar
mas carecia de esmolas
e de encontrar sentenças
Homequá, disgrama
este é o meio da desestória, não acaba
Vigiliei Afrígio tresontonte
escondendo aurora
pegando picula com o cheiro da chuva molhada
criando cisco na lapela
Nera longe, não, pilhéria. Cansou
remendou atalhos, desconversou da sorte e
voltou pra brincadeira
artesão de latas e esferas
A felicidade é estrada...
enganaram Aroeira.

Goulart Gomes

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

Muadiê Maria