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20 fevereiro, 2017
Arte Poética
Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer
Adília Lopes
Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer
Adília Lopes
20 fevereiro, 2013
POETISA-FÊMEA, POETA-MACHO (cliché em papel couché)
1
Eu estou nua
eu estou viva
eu sou eu
Eu uso gravata
e, olhe, não foi barata
2
Sou uma poetisa-fêmea
falo do falo
Sou um poeta-macho
sacho
3
Sou um poeta-macho
sou um desmancha-prazeres
sou um empata-fodas
Sou uma poetisa-fêmea para mim
é tudo bestial
4
Sou um poeta-macho
sou arrogante
sou um pé de Dante
Sou um poeta-macho
sou um facto
sou um fato
5
Sou um poeta-macho
tenho um gabinete
sou uma poetisa-fêmea
escrevo na retrete
Sou um poeta-macho
sou um badalo
sou uma poetisa-fêmea
calo-me
6
A poetisa- fêmea
toca viola
o poeta-macho
viola-a
7
Senhora doutora,
os seus seios
são feios
o poeta-macho
assina o despacho
8
Não tenho culpa
não tenho desculpa
não tenho cuspo
não tenho tempo
9
Natália Correia, Mário Soares
antes me ponha
um cacto
mas não me mato.
1
Eu estou nua
eu estou viva
eu sou eu
Eu uso gravata
e, olhe, não foi barata
2
Sou uma poetisa-fêmea
falo do falo
Sou um poeta-macho
sacho
3
Sou um poeta-macho
sou um desmancha-prazeres
sou um empata-fodas
Sou uma poetisa-fêmea para mim
é tudo bestial
4
Sou um poeta-macho
sou arrogante
sou um pé de Dante
Sou um poeta-macho
sou um facto
sou um fato
5
Sou um poeta-macho
tenho um gabinete
sou uma poetisa-fêmea
escrevo na retrete
Sou um poeta-macho
sou um badalo
sou uma poetisa-fêmea
calo-me
6
A poetisa- fêmea
toca viola
o poeta-macho
viola-a
7
Senhora doutora,
os seus seios
são feios
o poeta-macho
assina o despacho
8
Não tenho culpa
não tenho desculpa
não tenho cuspo
não tenho tempo
9
Natália Correia, Mário Soares
antes me ponha
um cacto
mas não me mato.
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