04 setembro, 2021


Ogum, orixá ferreiro,  

deu a sua espada para Oxaguiã

Oxaguiã, orixá funfun,

é o guerreiro da paz

Primordial:

não há paz sem cabeças cortadas.


Martha

Sarau "Bahia, quem te conta?"


                                                     
Sarau "Bahia, quem te conta?"
04 de maio, terça.
19h30
República AF (Youtube)
Aninha Franco, Rita Assemany, e Levina Ferraz

 O MATADOURO


Os animais estão morrendo

desde ontem: morrem na cozinha,

na sala, no campo — onde estão,

por falta de imaginação.


A gata, junto ao fogareiro,

é minha irmã que não casou.

Perto do fogo desde a infância

terrível, seus olhos me acusam.


O cão, que dá voltas na sala,

é meu irmão que enlouqueceu

entre as estantes: o menino

que só viu o mar uma vez.


O cavalo, que morde há tempo

a mesma touceira, é meu pai:

que alugou todas as choupanas

de taipa, e não saiu daqui.


Os animais estão morrendo

na cozinha, na luz do campo:

todos penetraram aos gritos

e berros, neste matadouro.


Alberto da Cunha Melo

02 maio, 2021







Pratico escuta. Ontem, depois de assistir The father, precisei beber água e caminhar sozinha com Maya no quintal pra conseguir parar de chorar. O bebê que chorava muito no prédio aqui perto deixou de chorar tanto, que alívio, meu peito implodia de angústia. Gosto muito quando chove porque à noite os sapos cantam. Gosto muito quando faz sol porque os passarinhos não me deixam trabalhar. Melhorei muito com as cigarras, nem me entristecem mais. As lagartixas se jogam do teto no chão, nunca ouvi som mais nojento. Prefiro zuada a barulho. Não tem nem adjetivo pra barulhinho de água correndo. Paz é ouvir a voz de minha gente. Em Ubaíra, Teófilo usava um megafone pelas ruas. O que tanto você gritava, Teófilo? Não lembro. Mas sinto. Guardo memórias que não são minhas.

M.


06 março, 2021


 Fiz essa foto quando chegamos à praia hoje, minutos antes de soltar Maya, horas antes de passar por um dos piores momentos da minha vida.

   Frequentamos uma praia imensa e vazia, justamente por ela ser assim. Parecia que seria mais uma manhã maravilhosa, quando percebi que Haroldo tinha caído em um redemoinho no mar. No início comecei a gritar seu nome e pedir pra ele voltar. Em seguida corri pra areia para colocar meus óculos - quase 7 de miopia.

   E então eu vi a cena desesperadora, ele nadava, nadava, e não saía um milímetro do lugar. Gente, eu gritava: Não nade! Tente vir com a onda! Mar aberto, maré enchendo, rebentação, ele não me escutava. Em algum momento ele fez sinal com a mão e gritou: Peça ajuda!

   Praia imensa e vazia! A maré está enchendo, vai devolver ele, foi um dos meus pensamentos, que foram tantos e tão rápidos, estava focada em encontrar ajuda, quando na praia imensa e vazia vejo caminhando um rapaz. Fui correndo até ele e apelei.

   Pessoa certa, na hora certa, o cara era a calma em pessoa, centrado, perspicaz, trouxe calma, e Haroldo, que já estava começando a encontrar o caminho de saída, conseguiu sair do redemoinho.

   Que alívio indescritível. Quando eu vi o peito de Haroldo, a água chegando em sua cintura, pude dar uma desmoronada, tremi.

   Não perguntamos o nome desse Buda Nagô, mas agradecemos imensamente.

Laroyê Exu

Axé Babá

Epa omi oooo

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

Muadiê Maria