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26 junho, 2013
Pasifaé e o touro
Neste pasto sem fim,
Neste campo de flores,
Navego teu silêncio como um barco
E como um barco navegas
Meu silêncio.
Toda palavra entre nós
Carece de sentido.
Apenas nos olhamos
Enquanto a pele estala
Como um fruto.
Sou delicada e cruel,
Tu és manso e assassino,
Mas não posso tocar-te
E não ouso perder-te.
Contemplar-se
E contemplar,
Este o nosso destino.
Inexorável, à nossa volta,
Constrói-se o labirinto.
Myriam Fraga
03 maio, 2008
Onagro
A dama e o unicórnio
Desenho o teu perfil
Como um bordado:
Matiz e labirinto.
Uma anca abaulada,
Um pé suspenso
E a preciosa cabeça
De encantado.
Passeias nos meus sonhos,
Nos meus bosques
De sombra e solidão.
Solitário também
E assustado:
Tão delicado risco
- Elfo e onagro.
Nunca virás a mim.
Por mais que espreites
(E te espreite)
Não virás.
Desejas no entanto
Meu regaço.
Mas nunca o terei nos meus braços.
...Nunca o doce
Calor de seu pelo,
Nunca o suave
Parafuso do chifre...
- Que linha furiosa nos separa?
Neste jogo de espelhos,
Divididos,
Nos buscamos em vão.
Não me escutas,
Nem voltas a cabeça.
Nem eu atiro o laço.
Myriam Fraga
12 dezembro, 2006
José Redinha
Revesti-me de mistério
Por ser frágil,
Pois bem sei que decifrar-me
É destruir-me
No fundo não me importa
O enigma que proponho.
Por ser mulher e pássaro
E leoa,
Tendo forjado em aço
Minhas garras,
É que se espantam
E se apavoram.
Não me exalto.
Sei que virá o dia das respostas
E profetizo-me clara e desarmada.
E por saber que a morte
É a última chave,
Adivinho-me nas vítimas
Que estraçalho.
Myriam Fraga
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