Mostrando postagens com marcador Maya Angelou. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maya Angelou. Mostrar todas as postagens

22 abril, 2018


RECUSA

Amado,
em quais vidas ou terras
conheci seus lábios
suas mãos
seu bravo sorriso
irreverente.

Todos esses doces exageros
que eu adoro.
Qual a garantia
que nos encontraremos de novo,
em qualquer outro mundo
em qualquer futuro sem data.

Eu desafio a urgência de meu corpo.
sem a promessa
de mais um doce encontro,
não me permitirei morrer.

Maya Angelou

13 junho, 2017


Homens

Quando eu era nova, tinha por hábito
Observar por trás das cortinas
Homens que subiam e desciam a rua. Os homens da manguaça, os homens de idade.
Homens moços afiados feito mostarda.
Veja. Os homens estão sempre
Indo a algum lugar.
Sabiam que eu estava lá. Quinze
Anos e faminta por eles.
Sob minha janela, eles paravam,
Os ombros altos como os
Peitos de uma moça,
A cauda dos casacos batendo
Naqueles traseiros,
Homens.

Um dia eles te seguram nas
Palmas das mãos, gentis, como se você
Fosse o último ovo cru do mundo. Então
Te apertam. Só um pouco. O primeiro
Aperto é bom. Um abraço rápido.
Suave na sua fraqueza. Um pouco
Mais. A dor começa. Arranca um
Sorriso que contorna o medo. Quando o
Ar desaparece,
A mente estoura, explodindo com violência, breve,
Como a cabeça de um fósforo. Estilhaçada.
É o seu sumo
Que escorre pelas pernas deles. Mancha os sapatos.
Quando a terra se põe outra vez no lugar,
E o gosto tenta voltar à língua,
Seu corpo já se fechou. Para sempre.
Chave nenhuma existe.

Então a janela se cerra toda sobre
Sua mente. Lá, além
Do balanço das cortinas, os homens caminham.
Sabendo algo.
Indo a algum lugar.
Mas desta vez eu vou só
Ficar aqui e observar.

Talvez.

Maya Angelou

Tradução de Adriano Scandolara.

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

Muadiê Maria