18 julho, 2010


Deixe eu ficar aqui quieta. Não me peça nada. Porque eu corri sozinha chorando feito doida pela casa. Só sei porque Alberto me disse: o contrário da alegria não é a tristeza, mas o silêncio. Eu peço socorro tão baixinho que você não escuta. Só posso cuidar de você, não por altruismo, mas porque tenho pudor em existir.
(E assim, impotente e pequena não pude parar a bala que matou, na escola, o menino com o lápis na mão.)
Por pudor eu não peço, por pudor eu não berro, por pudor eu não conto, por pudor eu não mostro. Por pudor eu não faço.
Porque as palavras não vieram, fiquei assim: absorta, com força apenas para o mínimo: permanecer. Respiro e ocupo um lugar no espaço.

Martha

11 comentários:

Bernardo Guimarães disse...

por pudor, nem comento...

Gerana Damulakis disse...

Sinto como vc. E, como somos mães, sentimos pelo ser humano morto bestalmente e pela mãe dele, daqui para frente uma morta viva.

Angélica T. Almstadter disse...

Com esse pudor de palavras vc diz mais do que a mais depudorada crônica poderia...
beijos
>^:^< Kika

M. disse...

A poesia que nasce da dor. Beijo, Marta, no coração.

Ana Cecília disse...

Martha, eu compreendo tanto. Obrigado pelo tanto e tão belo que você diz, falando por nós tantos.
Beijos.

Raiça Bomfim disse...

Ai, Martha, isso me chegou tão fundo...

Bípede Falante disse...

lindíssimo texto sobre uma tristeza tão grande...

caius.marcellus.araujo disse...

bonito isso bonito paca.
vc fez falta nesse almoço . Jô sentiu sua falta ; Rosa também...
vamos marcar um jantar ou almoço tranquilos, numa tarde calma.
be'j'.

Chorik disse...

Estive aqui pensando se a tristeza é passagem rumo à sabedoria ou se estacionamos nessa estação por medo do trajeto.

aeronauta disse...

Como Ana Cecília disse acima, você falou por nós todos.
Bjos.

dai-ane disse...

cortante e profundamente lindo.

A Chuva de Maria

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Muadiê Maria

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