21 Novembro 2009

afeto


Adorei participar da abertura do Movimento Artístico Marista Patamares na escola onde trabalho. Foi uma emoção deliciosa.





Leitoras especiais: Giovana, Deni, Luciana, Quézia e Rene.

Fundo musical: Jorge, a gente feliz porque também é da sua companhia
Fez a mágica acontecer e me deu os dois candeeiros: Elival
Me fizeram o convite: Socorro, Ana, Cristina, Merielle e Sandoval
Dicas, cenário e amor fraterno: Enjolras.
Edição-presente: meu amor
H.

18 Novembro 2009


Uau! Ganhei essa ilustração para o poema que está no post abaixo. Muito obrigada, Wilson.

15 Novembro 2009


queria ser só
o que de vento se veste:
poeira, grão, semente , algodão.

queria ser só
o que flutua:
pena, flauta, balão.

no dia ser borboleta
na noite ser mariposa,
só delicadeza eu seria:
vaga-lume, orvalho, seixo, lágrima, canção.

mas também sou tudo
que padece:
pedra, amargura, solidão.

mas também sou tudo
que afunda:
pedra, cadáver, escuridão.


Martha

10 Novembro 2009

















Nara Leão


UNIBAN

Solidariedade incondicional a estudante vítima da truculência. Não me venha com adendos nem considerações do tipo se a saia era curta demais ou não. Isto não está em julgamento. Se por qualquer razão ela estivesse nua, deveria ter a sua integridade física e moral preservada.

Martha















Foto: Haroldo Abrantes


Definição


Um corpo não é um fruto,
embora em tudo se assemelhem:
densa forma, oculto gosto, cinco letras
e um pressuposto poder de vida.

Um corpo é mais que um fruto
que se plante, que se colha, ou se degluta:
um corpo é um corpo,
é um corpo,
é uma luta.

Um corpo não é um potro,
embora assim se manifeste:
pêlos mansos, membros ágeis, sal na boca,
e um desejo verde pelos campos.

Um corpo é mais que um potro
que pelos prados e currais se dome:
um corpo é um corpo,
é um corpo
é fome.

Nem chama que se anule,
nem espada em duplo gume
ou máquina de estrume.

Um corpo é mais que tudo:
mais que a chave,
mais que a fome,
mais que o leme,
mais que o açude.

Um corpo
é mais que tudo:
é a própria imagem
que eu não pude.

O corpo é onde
é carne:

o corpo é onde
há carne
e o sangue
é alarme.

O corpo é onde
é chama:

o corpo é onde
há chama
e a brasa
inflama.

O corpo é onde
é luta:

o corpo é onde
há luta
e o sangue
exulta.

O corpo é onde
é cal:

o corpo é onde
há cal
e a dor
é sal.

O corpo
é onde
e a vida
é quando.

Affonso Romano de Sant'Anna

É hoje!

09 Novembro 2009


Fecundação


Teus olhos me olham
longamente,
imperiosamente...
de dentro deles teu amor me espia.

Teus olhos me olham numa tortura
de alma que quer ser corpo,
de criação que anseia ser criatura

Tua mão contém a minha
de momento a momento:
é uma ave aflita
meu pensamento
na tua mão.

Nada me dizes,
porém entra-me a carne a pesuasão
de que teus dedos criam raízes
na minha mão.

Teu olhar abre os braços,
de longe,
à forma inquieta de meu ser;
abre os braços e enlaça-me toda a alma.

Tem teu mórbido olhar
penetrações supremas
e sinto, por senti-lo, tal prazer,
há nos meus poros tal palpitação,
que me vem a ilusão
de que se vai abrir
todo meu corpo
em poemas.

Gilka Machado

08 Novembro 2009






















Luanda

Gosto dela à noite
a horas esquecidas

Gosto dela quando mais
ninguém anda cá fora
e a sinto toda minha…

O seu corpo grande e negro
é quente e generoso,
e os ruídos no escuro
cães ladrando, carros longe
galos, meninos chorando…
fazem uma sinfonia
morna, calma e tropical
como se fosso o respirar
de alguém que descansa.

É por isso

Que eu gosto de Luanda
a horas esquecidas…

Olho o seu corpo, grande,
o seu corpo negro e generoso
e sinto uma ternura especial

Como se fosse o corpo conhecido
duma amante saciada e adormecida
que se olha com amor e com cansaço
e depois se recorda com saudade.


pintura e poema: Neves e Sousa

06 Novembro 2009

Saudade





















O vento nas folhas
quer me consolar
Fingir que o Guaibim
mudou de lugar.

Na rede eu escuto
as acácias e helicônias
brincando de ser coqueiros

os passarinhos
trazem notícias de meu pai

Beija-flor e Caga-sebo
preferem as graxas rosas

a Pintagol Fubá
cantarola na varanda
um Garrincha, seu amigo,
assobia só pra ela.

Os Assanhaços
na goiabeira e
as Rolinhas também.
Briga entre os Beija-flores.

A chuva de exuberância

dos Bem-te-vis

sorte é ver
da janela do meu quarto
um bando de Bico de Lacre.

O céu daqui é pequeno
o final
a vista alcança

a festa dos passarinhos
é cascata, é refrigério
pra aumentar o céu
e trazer
meu pai pra mim.

Martha

Bem-te-vi - Foto: Flavio Cruvinel Brandão
Rolinhas - Foto:
Viveiro Jaime Dias

Bico de Lacre - Foto: Dragoms
Assanhaço - Foto:
Ori Costa
Garrincha - Foto:
Celi Aurora



05 Novembro 2009


Eu gosto mesmo é de usar vestidos
e saias.
As palavras me fascinam
por isso brinco com o fogo
das palavras.

Daquela tarde eu lembro
que mordi sem querer
minha boca
e das mãos em brasa.

Nossas mãos,
em silêncio,
criando segredos
e intimidade.

Martha


03 Novembro 2009

Poesia

Escrevo nomes
como quem passa batom
e pinta de vermelho
a boca

talvez porque sofra
desse destino
de me balançar
em rede tão fina.

Escolho pernas
cruzo e descruzo palavras
prolongo sílabas e olhares

E porque quero dançar
procuro poesia
no céu da sua boca.

As palavras
doidas pra tecer mistérios...
Confundo lábios e letras.

Martha

31 Outubro 2009


Canção do efêmero com passarinho e brisa

É tudo mesmo bem pouco,
pois só há pouco me vi
chegando aqui e encontrando
o que nunca compreendi
— tanto que, perplexo, tanto
duvidei de estar aqui.
E nunca acreditaria
se não fosse um passarinho
afirmando: bem-te-vi!

Ainda escuto o seu trinado
garantindo-me o existir.
Mas precária garantia,
como aprendi com a brisa
de que se compõe o dia:
se o tempo passar um pouco,
nada mais que um pouco, logo
não estarei mais aqui.

Ruy Espinheira Filho

26 Outubro 2009

Som do bom


Abertura da exposiçao:
Dia 28/10, quarta-feira
às 19h,
no Jequitibar Grill
R. Ilhéus, 258 - Pq. Cruz Aguiar - Rio Vermelho

24 Outubro 2009

Raid das moças

Cartela final:

o nome da sorte:

o ganhador: ORBE

Gente, adorei fazer a rifa, valeu a participação de vocês.

Martha










Ana Cordeiro

Liberdade

Dança em mim
essa vontade
esse desejo
de dizer o que sinto,
penso, saboreio

Essa marola de palavras,
maremoto, enxurrada,
esse trovão.

Minha yansã pega
de frente
pega de jeito
Rodamos a saia
e os raios, a brasa,

o barravento
são a minha verdade,
nada de mais, não.

Martha

21 Outubro 2009

Pessoal,
roubando descaradamente a idéia de
Andrea del Fuego , estou rifando o livro Antologia Pórtico 3, este aí em cima. Para participar é só escolher um nome da cartela.
O ganhador, se não estiver pertinho de mim, vai ouvir o carteiro chegar e seu nome gritar com o livro na mão.
Boa sorte.

Os autores do livro: Ana Cecília Bastos, Bené Lins, Carlos Valadares, Carmelita Menezes da Silva, Djalma Filho, Goulart Gomes, Luis Antônio Vieira, Márcia Tude, Martinho Branco, Oswaldo Martins, Regina Lyra, Reneu Berni, Rose Rosas, Vicente Cariri, Vladimir Queiroz e eu.

18 Outubro 2009

Também sou da época em que vendiam enciclopédias e coleções de livros de porta em porta. O sobrinho de uma amiga de minha mãe estava passando por um momento difícil e bateu lá em casa oferecendo uma imensa coleção de livros de capa dura. Minha mãe nem pestanejou e comprou completa para ajudar ao rapaz.

A caixa chegou, grande, cheinha de livros pequenos, coloridos e péssimos. Depois de darmos uma olhada, encaixotamos os livros de novo e deixamos em meu quarto até encontrarmos um destino para aquela coleção.

Numa noite em que parecia ser uma noite qualquer, minha mãe acendeu uma vela, colocou em um pires e pediu proteção aos seus orixás. E onde ela colocou o pires com a vela acesa? Em cima da caixa!

Acordei no meio da noite com um incêndio em meu quarto. Altas labaredas. Mas o que me impressiona é o que se seguiu: eu levantei, fui até o quarto de minha mãe, a acordei e disse: mãe, a caixa está pegando fogo. Voltei para meu quarto, me deitei e imediatamente tornei a dormir. Deixei para ela a tarefa de apagar o fogo sozinha.

Isso é que é confiança!

Martha
Da série: Meu caderno Vermelho

Nesse século havia um unicórnio azul, era 1989. Em Berlim, trincava o muro, no Brasil, meu coração. O rapaz, meu namorado, era do PCB, e quando menos esperávamos, saiu a sua bolsa de estudos na Alemanha Oriental.
Fui até o Rio de Janeiro para a despedida e preferi embarcar primeiro. Temi a solidão de um aeroporto estranho. Sentei em minha poltrona e comecei logo a chorar. Pela janela eu via a queda do unicórnio azul. Um senhor bonito sentou-se ao meu lado e falou:
- O avião ainda nem levantou voo, e você já está chorando?
Que coincidência! Era Roberto Freire, o candidato a presidência da república pelo PCB. Contei a minha história e ele me contou uma história sua muito parecida. Acho que votei nele nessa eleição.
Guardei as cartas de amor e um pedaço do muro.

Martha

17 Outubro 2009

Plataforma

Algum amigo, talvez o único,
aconselhará o combate:
mude de amigo se não pode
mais, nunca mais, mudar de vida.

Da amada nem se fala, tudo
que ela deseja é para si:
mude de amada se não pode
mais, nunca mais, mudar de vida.

A poesia não é mais feita
de água, de colírio indulgente:
mude de verso se não pode
mais, nunca mais, mudar de vida.

Diante do nascente alugam-se
espaços claros e andorinhas:
mude de casa se não pode
mais, nunca mais, mudar de vida.

Uma terça parte dos anjos
já veste túnicas vermelhas:
mude de roupa se não pode
mais, nunca mais, mudar de vida.

Alberto da Cunha Melo

Eu e Bia chegávamos da lida para almoçar e
encontramos esse casal namorando em nossa porta.

Achamos lindo e ficamos admirando... Mas, incomodados com a falta de privacidade, o casal se escondeu na acácia.

Fotos: Beatriz

16 Outubro 2009

Digo: o amor

Digo: o amor. Há palavras que parecem sólidas,
ao contrário das outras que se desfazem nos dedos.
Solidão. Ou ainda: medo. As palavras, podemos
escolhê-las, metê-las dentro do poema como
se fosse uma caixa. Mas não escondê-las. Elas
ficam no ar, invisíveis, como se não precisassem
dos sons com que as dizemos.

Agora, o efeito das palavras. A sua rotação
na cabeça, e pelas artérias, até ao centro:
o coração. Outra palavra com que se diz: o
amor. Mas não falo de sinónimos; de resto,
há palavras que escondem o contrário do que
querem dizer, e só as conhece quem ama, se
a vida não o levou por caminhos confusos.

Amo-te. Também podia dizer: a solidão
com que te amo, ou o medo de te amar. A partir
de uma palavra tudo se pode fazer, numa página,
quando o que aí está é um poema. No entanto
essas palavras conduzem-me até ti, isto é,
fazem-me viver por dentro delas. É por isso
que tudo se confunde: o amor, a solidão, o medo,
e até a vida, que também é uma palavra.

Nuno Júdice

Carrego na mala segredo pesado. Estou com muito medo do silêncio.
Essa semana uma faringite me deixou sem voz.
Essa frase me assombra. Da adolescência ecoa a música feita pelo menino Dido: o meu grito é mudo.

M.

12 Outubro 2009


Uma antiga viagem e seu silêncio

Fui, vi, voltei. Mas o meu coração em sobressalto ainda quer explodir... Como um oco no centro de mim, onde sintonizo sem disfarce a dor, quando me atinge. Voltei assim da viagem: tudo ecoa, há um oco onde cabe a dor. E há tempo e reconhecimento para isso, agora sei o lugar onde dói, entre coração e diafragma. Essa dor que é a de existir mesmo, dos confrontos e dos limites, e é também a dor desse mundo convulsionado onde vivemos e onde meus filhos vivem, ainda alheios mas vulneráveis. Há um portão fechado no fim do túnel, há muitos acidentes e tensão, e no meio de tudo sonho que quero falar por mim, que é essa a minha questão, essa a minha conquista, sanada a ilusão do migrante, essa de não se estar perdido ainda por lá, nos esquecidos do lugar de onde se veio. Falar por mim, como sou, através desse estar no mundo.

Ana Cecília de Sousa Bastos

05 Outubro 2009

Objeto de Amar

De tal ordem é e tão precioso
o que devo dizer-lhes
que não posso guardá-lo
sem que me oprima a sensação de um roubo:
cu é lindo!

Fazei o que puderdes com esta dádiva.
Quanto a mim dou graças
pelo que agora sei
e, mais que perdôo, eu amo.


Adélia Prado

27 Setembro 2009

Ibejis de Abeokuta

Ibeji

Num rumorejo alegre
as moças cuidadoras
aveludaram a senhora

arrumaram seus cabelos
escolheram seu vestido
e pintaram suas unhas
cor de rosa.

Foi assim adocicada
que a mulher sentou-se
frente ao bolo perolado
Entre firme e desvanecido
em suas cascatas de açúcar.

As velas pulsando 80
e o batuque vigoroso dos corações
bordeando a mesa
atordoaram a menina.

Os mais atentos viram,
apesar da inexatidão dessa hora,
quando ibeji ventou sorrindo
roubando doces da mesa
e fazendo brotar dos olhos dela
a nascente de um rio.

Martha Galrão

20 Setembro 2009

Da série: Meu caderno vermelho

Todo mundo com 17 anos. Bonitos, ruidosos, ávidos. Em minha turma do 3º ano, um apaixonante menino do Rio. Em junho, a festa de São João foi também a sua festa de despedida. Minha amiga Ceiça foi a encarregada de sortear os pares da quadrilha. Claro, eu fui a sorteada pra dançar com ele.
Nunca mais nos falamos. Dois anos depois, no Rio de Janeiro, era julho quando ele entrou no mesmo ônibus que eu estava.( Ceiça, foi você quem sorteou o instante? ) Acho que foi no Leblon, mas sei que ele tinha nas mãos um envelope pardo e uma caneta para anotar meu telefone.

Martha

18 Setembro 2009

Da série: Meu caderno Vermelho

Início da faculdade, eu tinha no máximo 19 anos, cabelos longos. Estava andando no calçadão do Relógio de São Pedro quando um homem me perguntou: Você é filha de Iray?
Havia sido amigo de minha mãe e há muitos anos não se viam, mas me "reconheceu" pela semelhança dos rostos.

Martha

16 Setembro 2009

inédito

Meu primeiro livro dediquei a minha mãe.



Martha

15 Setembro 2009

Debaixo d'água tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar















Debaixo d'água se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar








Debaixo d'água protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar









Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia



Debaixo d'água: ARNALDO ANTUNES