19 abril, 2017


Ontem passeamos de barco na Baixa do Bomfim. Foi bom demais. Peixinhos pulando na água, uma borboleta em cima do mar. O Mar muito sereno. Mas uma coisa que me deixou encantada foi ver, depois de muito, muito, muito tempo, praia como quintal, as mulheres, amigas, vizinhas, trocando altas confidências e um bando de crianças pequenas de calcinha e cueca. Sabem aquela intimidade com o mar da cidade baixa? Pois é.
Fomos até o Bogary, um salve a Wilson Mello.

M.

nativa

a mãe da mãe da minha mãe foi pega no laço
a mãe da minha mãe foi pega no laço
minha mãe foi pega no laço
por precaução 
perambulo nua em pelo

Norma De Souza Lopes

23 março, 2017


Mulheres

Kuri passeia em céu nublado 
Com uma pipa amarela 
Seu sol empinado

Martha Galrão cheira a laranjeira 
Em flor 
No sertão que chove granizo

Simone Teodoro encontrou Hilda 
Sentada numa pedra 
lendo o olhar de um cão

Ângela Vilma contempla o sofá rasgado, o remendo do corte, a faca e a sorte
E eu, essa menina feia 

chorando no batente de casa 
minha avó que nunca retorna

com a poesia em suas mãos.

Carollini Assis 

17 março, 2017

Um dia o tempo escorreu manso lá na casa de meu pai e Emília. Um dia. E foi tão calmo e bom, que ele me iludiu. Parecia que duraria para meu sempre. Mas o tempo, vocês sabem, é um senhor implacável que vem cobrar sua conta, faça chuva ou faça sol.
Levou meu pai.
Agora está levando Emília. Lentamente. Temporada de dor e despedida.
Não há como não sentir muita tristeza nessa separação esquisita, irreversível, desconhecida. E alegria e amor por tudo construído.
Em meu coração, lentamente caem as paredes da casa, é só poeira o meu quarto, a cama que eu dormia, o espelho que distorcia as imagens, os mais de dez relógios de meu pai já pararam de funcionar, as fotos desbotando nos portarretratos, os gatos fugindo do abrigo, o mato cobrindo o quintal, o tempo crescendo ao redor, ao redor, ao redor. 
Nunca mais em minha vida é tempo demais.

M.

06 março, 2017


Noite, as murtas perfumando muito. Fui eu quem plantou, penso, enterrada numa solidão quando (quase) nada me consola.

M.

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

Muadiê Maria