12 outubro, 2009


Uma antiga viagem e seu silêncio

Fui, vi, voltei. Mas o meu coração em sobressalto ainda quer explodir... Como um oco no centro de mim, onde sintonizo sem disfarce a dor, quando me atinge. Voltei assim da viagem: tudo ecoa, há um oco onde cabe a dor. E há tempo e reconhecimento para isso, agora sei o lugar onde dói, entre coração e diafragma. Essa dor que é a de existir mesmo, dos confrontos e dos limites, e é também a dor desse mundo convulsionado onde vivemos e onde meus filhos vivem, ainda alheios mas vulneráveis. Há um portão fechado no fim do túnel, há muitos acidentes e tensão, e no meio de tudo sonho que quero falar por mim, que é essa a minha questão, essa a minha conquista, sanada a ilusão do migrante, essa de não se estar perdido ainda por lá, nos esquecidos do lugar de onde se veio. Falar por mim, como sou, através desse estar no mundo.

Ana Cecília de Sousa Bastos

6 comentários:

Gerana disse...

M: Ana Cecília foi a ganhadora do Prêmio Casa de Jorge Amado com Uma vaga lembrança do tempo? Se sim, será que vc teria como me informar se foi no ano em que Junqueira Ayres também teve o livro premiado?

Janaina Amado disse...

Onde este texto foi publicado? É tão bonito!

Edu O. disse...

Que lindo! Uma viagem por aí pelo mundo, por aqui por dentro de nós.

Giselly Lima disse...

Conhecer onde é a dor é, geralmente, a saída... quando há saída...
Belo texto.

Diz disse...

Bonito isto. Não conheço esta escritora.
Bj Laura

Ana Cecília disse...

Martha, senti-me "em casa" aqui no seu blog. Obrigada por postar o meu silêncio.
Abraço grande!

Gerana, sou eu mesma. Sim, Junqueira Ayres foi um dos vencedores, no mesmo ano (1999), com o romance "O Mistério do Engenho".
Abraço pra você!

A Chuva de Maria

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