29 setembro, 2006

Irisz Agocs

Hoje foi um dia estranho, não foi? Chuva e frio em plena primavera tropical soteropolitana. Não entendi nada. O vento bravo, o mar respingando água e eu passei o dia assim...marejando, querendo respingar gotas prata. Mas minha lágrima é incolor!

Por isso as gotas ficaram só na beiradinha dos olhos, amparadas pelos cílios. Enchendo...esvaziando...feito a maré...que como diz Arnaldo Antunes, enche e esvazia para não sair do lugar.

Passei o dia ensimesmada, solitária, coligada ao mar, ao vento e a chuva. Só no final da tarde recebi apoio para existir.

Assim: a saída da ginástica olímpica de Beatriz é realmente uma loucura, muito carro e pouca solidariedade. E eu, manobro daqui, dou ré ali... finalmente consigo ir saindo devagar...e surpresa: vejo um carro dando ré, vindo exatamente na minha direção. E a distância entre nós era bem curta. Eu odeio buzinar, mas neste caso não havia alternativa.

A mulher que estava no volante não gostou e começou a gritar um monte de coisas...eu nem ouvi, coligada que estava com a chuva, o mar, o vento e nessa altura também com aquele mar de carros....

Mas havia uma kombi da embasa parada, com uns 4 ou 5 trabalhadores, e para meu conforto nesse dia chuvoso e frio, eles inesperadamente tomaram meu partido e diseram: Mulher maluca! Manda ela tomar no cu!

Não precisa rapazes, deixa ela seguir, já valeu o apoio moral..


Marha

6 comentários:

Aline disse...

Legal, Martha! Um tapinha nas costas na hora certa às vezes nos faz ganhar o dia!!! Mais uma vez, captaste «aquele» momento especial!!! Beijos!

Carla disse...

Seu blog está estranhamente emocionante.... o estranhamento é para brincar com o mister de emoções que me fez sentir, hora em ler os poemas, principalmente os seus e hora por ver as imagens. Parabéns pela emoção despertada em cada escolha, em cada palavra, em cada sensação.
BEIJOS!!!

Mani disse...

Aim, eu tenho uma burguelinha Beatriz também...E adoro apoio moral inesperado!

Anônimo disse...

É amiga... E a mesma chuva que caia em Salvador, era torrencial dentro de mim hoje....
Me lasquei! Justo hoje, combinamos eu , vc e São Pedro de chorar leites derramados em formas estranhas.
P.S.
O trânsito de Salvador em dias de chuva é o casamento do Pinel com o Juliano Moreira, mesclados com o meu juízo.

Boa Martha!
Vc é sexo explícito com as palavras.
Beijo.
Liris Letieres

Bela Caleidoscopica disse...

Olha a chuva de Bandeira pra vc...

"Enquanto a Chuva Cai

A chuva cai. O ar fica mole . . .
Indistinto . . . ambarino . . . gris . . .
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.

Torvelinhai, torrentes do ar!

Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minh'alma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.

Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.

Volúpia dos abandonados . . .
Dos sós . . . — ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer . . .

Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!

A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!

Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!

E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.

É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir,
O lamento das quedas-d'água!"

Beijo

irisz disse...

very nice of you, thanks! muchos gracias!

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

Muadiê Maria