27 setembro, 2006

O dia em que eu vi Ibeji

Ibejis de Abeokuta
Num rumorejo alegre
as moças cuidadoras
aveludaram a senhora

arrumaram seus cabelos
escolheram seu vestido
e pintaram suas unhas
cor de rosa.

Foi assim adocicada
que a mulher sentou-se
frente ao bolo perolado
entre firme e desvanecido
em cascatas de açúcar.

As velas pulsando 80
e o batuque vigoroso dos corações
bordeando a mesa
atordoaram a menina.

Os mais atentos viram,
apesar da inexatidão dessa hora,
quando ibeji ventou sorrindo
roubando doces da mesa
e fazendo brotar dos olhos dela
a nascente de um rio.


Martha Galrão

2 comentários:

Campêlo disse...

Talvez agora eu tenha descoberto o por que de um olhar tão profundo e comovente, transcendental, ao mesmo tempo manso e inquieto.
Quantas transversais do tempo não terá ele atravessado?
Talvez por isso, essa sensação de reconhecimento imediato.
Clóvis Campêlo

Raiça Bomfim disse...

Uma delícia esse poema, Martha. Engraçado foi que me deu vontade de dançar.

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