07 maio, 2010











Eu era estranha e herdara o quarto que era de meu pai e minha mãe. Havia um grande armário embutido, onde, na parte de meu pai, eu cabia facilmente sentada.
(Lembro dos paletós que me traziam o mundo. Canetas douradas, prateadas e lindas com bolinhas penduradas compradas nas importadoras japonesas do Edifício Politécnica. Um papel do tamanho de um assustador bebê que já nasceu falando. Um documento que me contou que Antônio é meu irmão.)
Mas o que eu quero lembrar foi o dia em que Tico queria ser meu amigo. Eu fugia pois ele era estranho. Tico bateu na porta da minha casa e eu me escondi nesse guarda-roupa. Como se fosse a coisa mais normal do mundo, ele abriu as portas do armário e simplesmente falou:
- Vamos ao cinema?
Fiquei muito envergonhada por estar escondida e respondi fingindo simplicidade:
- Vamos.
Fomos assistir A Vida de Brian. Nos tornamos tão amigos e inseparáveis que todos pensavam que éramos irmãos.


Martha

13 comentários:

Chorik disse...

Martha, vamos ao cinema?

Chorik disse...

A pergunta que não quer calar: deixou de ser estranha quando?
Ai, não precisa jogar o mouse na minha cabeça, ui!

MARIAESCREVINHADORA disse...

Belas lembranças, amei.

. fina flor . disse...

#adoro essas lembranças de infância, são tão gostosas, né?

beijos, flor

MM.

Gerana Damulakis disse...

O significado maior vem com o tempo.

Diz disse...

Tudo q vc escreve eu gosto:)
Feliz dia das mães, qrda.
Sei a mãezona que é- que lhe deem mtas alegrias hj e sempre.
Bjão Laura

Nilson disse...

Lindo isso!

M. disse...

Marta, eu adoro te ler. Bjs

Raiça disse...

Eu também adoro. Adoro adoro.

aeronauta disse...

Linda a sua despretensão na escrita, proveniente da poesia nossa de cada dia.

Nydia Bonetti disse...

Martha, me vi nesta cena - me escondi tantas vezes dentro de armários e embaixo das camas, quando chegavam os tios, os primos, os "estranhos". Acho que até hoje, de certa forma me escondo. :) Adorei ler isso! Abraços.

Bernardo Guimarães disse...

tico é o máximo, conquista qualquer um agindo dessa forma; ele deve saber das coisas como ninguem.

Tico disse...

Tentei postar um comentário sobre o Brian, mas tenho dificuldade com blogs... fico inseguro, tem um tal de bloger que pergunta muitas coisas que não sei responder...Enfim, adorei o sorriso do cara da foto.
O Brian sempre foi meio estranho, também nunca consegui entender ele direito. A melhor parte do filme prá mim é quando a gente abre o armário. Parece um lance assim: a pessoa que está dentro toma a iniciativa de abrir a porta do armário por fora. A pessoa que está fora sempre deixa um pedaço de si dentro ( do armário). Aí a gente sai do armário e vai procurar o Brian no mundo. Agora já não sei mais se era um filme feito pelos outros ou é o nosso próprio...
Esse momento parece que dura até hoje... o Brian envelheceu. Nós e o armário também.
Obrigado pela companhia.

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

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