06 março, 2010

Desamparo

Chris Buzelli





















Desamparada estava eu, na barriga da minha mãe,
enquanto ela passava pela rua do Forte de São Pedro
a caminho do Campo Grande e sentia o cheiro dos peixes
mortos e tremia de medo das peixeiras.
Descia do passeio e atravessava a rua,
perguntando-se aflita:
De que eu tenho medo? De que eu tenho medo?

Martha

6 comentários:

Raiça Bomfim disse...

Essas suas passagens, esse instante dilatado, posto à luz e à eternidade, essas "insignificanças" preciosas me encantam demais.

E sobre seu comentário do jornal A Tarde, não entendi direito, Martha. Me conta (tô em conquista esse fim-de-semana e meio alheia a tudo).

Beijo grande,
Raiça.

Mariana Botelho disse...

"Essas suas passagens, esse instante dilatado, posto à luz e à eternidade, essas "insignificanças" preciosas me encantam demais."

e repito, e repito...

Gerana Damulakis disse...

Um desamparo muito bem simbolizado: a rua, o cheiro de peixes, tudo. Vc é D+

Edu O. disse...

eu estava atrasadissimo aqui!!! adorei vir e ler tanta coisa boa.

maria guimarães sampaio disse...

Peixe morto com gravidez não conjumina... Muito bem fazia ela em atravessar a rua.

Bruna Maria disse...

As respostas faltam e o que nos sobra, firme e intenso, é a evidência ela mesma: o medo.
Gostei da imagem utilizada, é bem expressiva. Primeira vez que venho aqui, estou conhecendo seus textos. Um abraço!

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

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