09 julho, 2009


Márcia e vó Augusta

Da série: Reminiscências

Vó Augusta era baixinha, toda redondinha, linda. Tinha cintura de pilão e só usavas vestidos. Ela fazia balas de mel deliciosas com gengibre, chá de limão, um arroz bem soltinho, gostoso, com ovos mexidos no ponto. Eu adorava uns quadradinhos de chocolate feitos por ela.
Vó Augusta não é avó de sangue, como dizemos em minha terra, é uma avó de consideração.
Uma vez ela falou do amor para mim e para Márcia. Nos contou que casou com vô Lindolpho aos 17 anos e que antes do casamento tiveram poucos encontros. Se namoravam com o olhar, ela na varanda e ele na rua.
Nos disse uma coisa linda, que jamais esqueci: gostava de deitar com ele, os dois nus, abraçados, e assim ficar conversando...
Vô Lindolpho era um cavalheiro muito charmoso. Sempre gentil, tinha um caderno com poesias escritas por ele numa letra linda.
Lembro quando morreu, tranquilo como merecia, vendo o Jornal Nacional, éramos crianças e Márcia foi lá pra casa. Também fiquei triste e com saudade.
Vó Maria Augusta e vô Lindolpho são uma linda história da minha infâcia. Me mostraram o amor.


M.


11 comentários:

Gerana disse...

O mais gostoso do passeio pelos blogs é encontrar essas histórias de amor entre as pessoas. A gente acaba ficando cheio de esperança de que o mundo ainda se sustentará: basta que continue existindo mais e mais amor.

maria guimarães sampaio disse...

Ái as avós. Ái os amores. E você, Martha, nos presenteia belamente.

Bernardo Guimarães disse...

tive muito pouco contato com as avós e um pouco mais com vô chimbo. agora que estou do outro lado, procuro ficar mais e mais perto de iara; não quero que ela sinta a falta que sinto.

Nilson disse...

Belo texto. E bela cena essa dos dois conversando nus, abraçados. Deu pra visualizar, como num filme.

LIRIS LETIERES disse...

histórias de amor são sempre gostosas, ainda mais com gosto de mel
p.s. tô feliz, Martinha.

Renata Belmonte disse...

Fofa!
bjs

Janaina Amado disse...

Ah, que gostoso este texto de avós com gosto de balas de mel, Martha!

Lilia disse...

Não bastasse a minha vó Julia e a minha vó Joana, adotei vó Edésia e vó Chiquinha e trago umas imagens e uma lições lindas delas todas.
Acabo de "ganhar" mais uma, da vó Augusta.

Georgio Rios disse...

Martha, estes teus textos, tão cheios de remniscências e bom cheiro de saudades são relamente belos...Li a POsticos3 e teus poemas são simplismente lindos!!!

Clóvis Campêlo disse...

No tempo dos avós, eu ainda não desatava nós. Os que cheguei a conhecer sempre me pareceram calmos, comedidos, sensatos, velhinhos tranquilos e carinhoso.
O que seria de nós sem eles?

Edu O. disse...

que bom que vc nos brinda com essas histórias!

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