03 maio, 2009

















Atila Naddeo



Cigarras

Cigarras são palavras femininas
mas é no abdome do macho
que os timbais implodem.


O canto estridente masculino
convida as fêmeas para a morte.
A lamúria das cigarras
é só dos machos.
Será remorso?

O grito cortante
lamenta as ninfas que descem
e se enfiam, e se escondem e se enterram
para em silêncio sugar
a seiva das raízes.

As cigarras ignoram suas asas
grandes, transparentes e bordadas,
agarram-se aos troncos e galhos
para espalhar em uníssono
seu canto doloroso e amargo.

Ao entardecer,
hora mais triste do dia,
os machos choram
até rebentar minhas costas.


Sob o canto lancinante
das cigarras
eu e as lobas uivamos
dolorosas.


Martha

19 comentários:

M. disse...

Desde criança, as cigarras me comovem. Bjs

maria guimarães sampaio disse...

Ê Marta, as cigarras comovem M. e você me comove com seus poemas.

Conceição Pazzola disse...

Beleza de poema, Martha!
Parabéns.

Bernardo Guimarães disse...

vc conseguiu traduzir o misterioso e lancinante canto das (os) cigarras.

Andréia M. G. disse...

Belo poema! O canto das cigarras sempre mexeu comigo, mas já faz tempo que não as ouço... Acho que não há mais tanto espaço para elas onde eu moro.

Renata Belmonte disse...

As cigarras são um mistério para mim, nunca vi nenhuma, acredita?
Bjs

Clóvis Campêlo disse...

O canto conta coisas. Os uivos cantam sinas, dores, desesperanças. A natureza é uma orquestra.

. fina flor . disse...

que interessante, isso, não sabia.... bem poético, mesmo.

gostei!

beijos, flor

MM.

aeronauta disse...

Poema de extrema feminilidade; somos mesmo 'cigarras que morrem de cantar' (Cecília Meireles). Abraços.

Edu O. disse...

sinto que preciso estar mais constante aqui! CADA BELEZA!!!

taís almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
taís almeida disse...

Quando ouço cigarras, no nascer da noite, tenho sempre dentro de mim a sensação de estar diante de uma gigantesca sinfonia cheinha de saudades!

Salve Jorge disse...

Cigarras
E suas fanfarras
Cravam as garras
Ao pé do ouvido
Canto do indefinido
Sem amarras
Quase infinito
Incerto e bonito
Poderia ter sido
Mas esbarra
O canto da cigarra
Não na fome
Mas no que há consome
O sumo
Do homem...

Nilson disse...

Belo canto. De rebentar as costas!

dp disse...

poema forte,
me senti indo buscar
a seiva. poema canto,
(da cigarra?). A poesia
empodera.

amo.

Verônica Aroucha disse...

Martha, é um triste canto.
O canto da saudade, da partida.
O canto da natureza onde quase nada nos cabe saber... so sentir.
Parabéns, esse poema me tocou com suas leves e transparentes asas!
bjs, lindo dia das mães pra vc.

Georgio Rios disse...

Um poema de força épicapara ilustrar a poesia que inside no processo de existncia da cigarra.Um lindo e bem elaborado poema.

Raiça Bomfim disse...

Me toma tanta esse poema.
Uivamos, doloras, as lobas...
Ao som das saudades e remorsos.

Diz disse...

Querida, obrigada, vc não leu este recado que coloquei lá, estava escrevendo qdo vc entrou:


Meus caros amigos.

Vocês sabem que escrevo desde menina, nunca levei a sério, talvez eu não me leve a sério...

O meu amigo Gustavo, poeta dos melhores e filósofo, é meu leitor e insiste para que eu publique os contos.

O espaço virtual de certa forma supre a falta de um livro impresso. É uma boa discussão atual: Por que escritores virtuais querem publicar no papel? Eu já era escritora, me surpreendo quando encontro um texto de 70 ou 80. Escrevia na cama, de madrugada, hoje num micro computador a qualquer hora.

Agora pelas mãos amorosas do poeta estou entre gente boa, alguns bastante conhecidos. Eu, e outra escritora, estamos no meio de marmanjos, afinal futebol é coisa de homem. Mas é universo rico num país apaixonado pela pelada.

Comprem o livro. Leiam meu conto e digam se gostaram. É um erótico, tinha que ser não é?

E obrigada.

Bjss Elianne

A Chuva de Maria

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Muadiê Maria

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