03 maio, 2008
















Onagro

A dama e o unicórnio


Desenho o teu perfil
Como um bordado:
Matiz e labirinto.

Uma anca abaulada,
Um pé suspenso
E a preciosa cabeça
De encantado.

Passeias nos meus sonhos,
Nos meus bosques
De sombra e solidão.

Solitário também
E assustado:
Tão delicado risco
- Elfo e onagro.

Nunca virás a mim.
Por mais que espreites
(E te espreite)
Não virás.
Desejas no entanto
Meu regaço.

Mas nunca o terei nos meus braços.

...Nunca o doce
Calor de seu pelo,
Nunca o suave
Parafuso do chifre...
- Que linha furiosa nos separa?

Neste jogo de espelhos,
Divididos,
Nos buscamos em vão.
Não me escutas,
Nem voltas a cabeça.
Nem eu atiro o laço.

Myriam Fraga

5 comentários:

O Profeta disse...

Na água tudo se perde
Lavas do rosto a desventura
Uma lágrima é simples gota
Perdida do mar da ternura


Boa semana


Doce beijo

Espatódea disse...

Todas nós temos nossos unicornios... nossos principes encantados, amantes secretos... por isso ainda bordamos com nossas linhas de palavras o amor... Beijos

Maria Muadiê disse...

Isso mesmo, querida. Eu tenho um unicornio azul.
bjo,

MARIAESCREVINHADORA disse...

Que seria de nós sem esse "jogo de espelhos divididos" por onde vagueiam
nossos sonhos?
Lindo, querida.
Beijos,

Conceição

gláucia lemos disse...

Há sempre um unicórnio espreitando e sendo espreitado, na vida de cada qual. A covardia, a timidez ou o receio tolhendo-lhe as pernas ao ímpeto de avançar e vencer a fronteira. Quem não conhece o olhar fulminante do seu particular unicórnio?

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

Muadiê Maria