25 setembro, 2012


Máscara negra
                         a Pablo Picasso

Ela dorme e repousa sobre a candura da areia
Kumba Tam dorme. Uma palma verde vela a febre dos cabelos, a fronte curva cobre
As pálpebras fechadas, corte duplo e fontes seladas.
Esse estreito crescente, este lábio mais negro e até pesado
– onde o sorriso da mulher cúmplice?
As patenas das faces, o desenho do queixo cantam o acordo mudo.
Rosto de máscara fechado ao efêmero, sem olhos sem matéria
Cabeça de bronze perfeita e sua pátina de tempo
Que não suja ruge nem rubor nem rugas, nem marcas de lágrimas nem de beijos
Oh rosto tal como Deus te criou antes da própria memória das eras
Rosto do amanhecer do mundo não te abra como um colo terno para emocionar a minha carne.
Eu te adoro, oh Beleza, com meu olho monocórdio!

Léopold Sédar Senghor

(tradução de Leo Gonçalves)

2 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Belíssimo, belíssimo!!!

Beijos,

dai-ane disse...

Me fez ouvir Mateus Aleluia, cantando a música inspirada neste lindo texto! Saudade, Galrão!

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