13 setembro, 2011

A CHUVA DE MARIA

Martha Galrão, o nome. Poeta a lira. A Chuva de Maria, o título do livro. Iray, pesquisadora da cultura afro, a mãe. A editora, Kalango. “Fevereiro ferve, me dá febre, me come feito homem. Fevereiro arrepia os bicos dos meus seios. Abocanha meus sonhos.

Fevereiro tem fome, não tem piedade, me consome. Fevereiro me deixa”. – Ó Marthinha, permita-me também olhar-te mais de perto, queimar-me nas faíscas de tua pele. Inventas só para mim um enredo, uma história, guardarei tatuagens carinhosas contidas no teu corpo, repletas de beijos, amores, cheiros. Lindas, as poesias, Martha e Iray.

Não é “A Chuva de Maria”. É sim, tempestade de flores a nos encharcar nos rituais de beleza da primavera anunciada. – Socorro-me de Cartola: “Bate outra vez, sem nenhuma esperança este sofrido coração, pois já vai começando o verão”. – O Alcaide, Joãozinho do Papá, venha urgente buscar os votos dos moradores e usuários das Avenidas Orlando Gomes, Pinto de Aguiar e Rua Trobogy (foco de buracos e entulhos).

E só dá ele. Cuidado, ao sair aplaudido demais. Pode virar linchamento. Diria Lariú: “é tão desbotado, sem cor e sem brilho. Ficou fubento”. Falar em Nivaldo Lariú, precisamos retornar às fubuias. E os figueiredos guentam? – Alessandra tem as pernas torneadas. Outras são cambitos, necessitando chaparias. – Antes de bater a caçuleta é Bárrio ou BAIRRO?

– Doutor Cupertino, carregou dez anos o Ministério Público do TêCêÉ, nas costas. Volta e mesa, mesa volta, didaticamente ensinava a Auditores e Conselheiros, sobre o PUM. Com ares de sabedoria, subia nos sapatos, saltos enrustidos, luxuosos, confeccionados em Waldemar Calçados, o Vavá de Areia e ditava: o PUM é flatulência produzida por gases acumulados no tubo digestivo. Boca, faringe, esôfago, estômago e intestino.

E apontava-me, “velho tomador de Luftal a barriga desse aí, anda cheia de gás metano, carbônico. E lá vai bala: quando a ampola retal está repleta, o cérebro ordena ao esfincter: abre-te”. Lembrem o esfincter anal, é um anel muscular composto de duas partes. Controlável, a outra ignorada. “À propósito: quem soltou o PUM?” Era um tal de não-fui-eu.

No fim o Doutor sorrindo. Antigo comedor de cebola, couve-flor, repolho e feijão nunca segurava o reservatório e dizia, encerrando, “como posso negar um PUM a amigos?” – Biliardário de cultura e vocabulário jurídico irrepreensíveis, Cupertino, rico das beiradas do São Francisco, latifundiário peidão, reside numa mansão do Costa Verde. Convida-me à almoçar. Jamais. É muito Sulfato, Mercaptanos e Indol. Tome-lhe Bicarbonato, sódio... Saudades MEU DESEMBARGADOR...

França Teixeira
Publicada: 13/09/2011 TRIBUNA DA BAHIA

2 comentários:

Bípede Falante disse...

Que beleza :) Você deve estar contentíssima!
beijos

Chorik disse...

Tenho orgulho danado de ser seu amigo, viu Martha?

A Chuva de Maria

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Muadiê Maria

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