04 março, 2008


deita tua voz de seda
sobre meu sono de leve
deita tua voz e deixa
que ela se espraie na pele

por sobre cama desfeita
despida de toda veste
teu corpo voz liquefeita
molha meu corpo, me veste

deita tua voz e deita
tu, a tua voz, e segue
caminho da voz-corpo
por sobre meu sono leve

pois um corpo e outro corpo
mutuamente se despem
co'as vestes, o próprio corpo
co'os corpos, a própria pele

hálito som no meu rosto
a tua voz me veste
se espraiando pouco a pouco
levando meu sono leve.

Paquito

6 comentários:

Sílvia Câmara disse...

Muito bonito, Martha!

inominável disse...

e assim adormeço, com o teu corpo pequenino na cova da minha mão...

Ramon de Alencar disse...

...
-É assim que todos desejam acordar de um sono leve...

Lindas palavras, Martha... lindas...

d pessoa disse...

essa poesia deixa a gente mole...

MARIAESCREVINHADORA disse...

"Teu corpo voz liquefeita/molha meu corpo, me veste"
Adorei, Marthinha.
Beijos,

Conceição

Kátia Borges disse...

Lindo, Martha. Andei sumida, reapareci, Margarida. Bjs

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