25 outubro, 2007

Excesso de lucidez

Sobressalto, vertigem,
solidão.
Se o sentido me escapa,
o juízo retorna
a quantas miligramas?
rivotril, olcadil, frontal, paxan.
A fina teia se rompe diante dos meus olhos:
ansilive, valium, pondera, diazepan.
O mundo inteiro dissolve
no suor frio das minhas mãos:
dormonid, lorax, celibrin, alprazolam.

Martha


Para meu amigo Eduardo Pondé(ra)

22 comentários:

KIm disse...

Suor frio das mãos...
da espinal medula arrancado,
dói, dói...
será esta quimica panaceia,
a essência do ideal cibérnético, a saber, o pensamento artificial?

Seus textos concisos e precisos sobre temas pertinentes. A quimificação do cérebro humano,
vai nos transportar para onde?
KIm

alexandre disse...

Caraca...um poema químico!

Calvino disse...

Danou-se Marthinha! Poema que se refere à mente, não é preciso ir ao médico!!!,rsrsrs
Só faltou gardenal, amplictil... água que passarinho não bebe!,rsrsrs
Calvino nas pingas

LIRIS LETIERES disse...

Ah!!Essa angustia irmã, de me ser...
O melhor, é que bebo insaciável de sua fonte inesgotável e nunca terei overdose, nunca!
Pobre de mim, que no instante, me calo com um mero dorflex...

Anônimo disse...

Amada Amiga,
O importante é que "o pulso ainda pulsa"!
A química só diminui , um pouco, o rítmo da viagem...cujo destino não importa , o que importa é a jornada!
"Viajar é preciso pois viver é impreciso..."
Beijos amorosos e verdadeiramente empáticos,
Laura

Andre, um Jerico disse...

Amei mas tô zonzo.

Fiota dá sinal de fumaça que esse Jerico não vive sem vc.

Becitos

Andre, um Jerico
www.ideiadejerico.com

Tânia disse...

Uai, meudeusimdocéu! Acode, Thimoty Leary!!! "A terra será herdada pelos dóceis. Os que estão sorrindo, sigam em frente"
Tânia

Anônimo disse...

Querida poetiza em bula,

a poesia é bacana e bem articulada.

Tem um grupo de "loucos" que lançou um CD e uma das músicas que faz alusão a vários medicamentos que eles usam e os sintomas colaterais... cada um tenta dar a leveza que pode...
Marcia

*Sr°Jãum* disse...

Uma criatividade muito inteligente...
O homem se droga com essas substâncias,mas ele msm pode fazer com q ele não dependa dela..
O homem esta enlouquecendo...
Intrigante...
rs

*Sr°Jãum* disse...

Poxa querida..
em relação ao poema e imagem..
estou completamente afim de fugir para aquele lugar e chorar mto..
Estou vendo q o homem é mto insensivel..estou tentando mover uma campanha na escola e ajudar os animais de rua..
e ta todo mundo me achando um boboca por fazer isso..
ta todo mundo achando impossivel..ou desnecessario...

poxa peguei cada foto no google q me faz chorar de tristesa..e choro mais ainda quando vejo q o homem pouco liga p isso..

po..na boa..mto triste mesmo...
mas eu nao perderei a fé cara..
nem q eu deixei d comer a faça minha doação..
mas alguem tem gritar...
pq se ninguem grita...nada evolui!

Anônimo disse...

Adorei a homenagem a Ponde(ra)!rsrsrs....

Márcia

Jota Effe Esse disse...

Menina, esse coquetel mata! Valaeu p poema. Meu beijo.

KARLA JACOBINA disse...

Marthinha,

rimas remédicas
nessa nunca havia pensado
mente de marta, mente de marte

senti uma ponta de dor aqui
do outro lado da tela
não há quem nunca tenha tomado um gardenal

beijos.

Nilson disse...

Martha, sugestão para essa farmacopéia mental: vai um fitoterápico, tipo passiflora?

Verônica Aroucha disse...

Eu sei que não é para rir, mas me deixei ser conduzida e dopada pelo seu poema e deixei pra tomar o Rivotril depois... Acho que nem vou precisar!
Adorei muito, muito.
Verônica

SANDRO ORNELLAS disse...

Ter um poema desses dedicado para si faz a fama de qualquer um...rs

Laura disse...

Vc faz versos até com nomes de remédios. Belo poema.
Vou mandar aos amigos que tomam estas coisas.
Bjs querida, Laura

Laura disse...

Ah! melhor ainda agora que vi que não é vc quem toma estes remedinhos- nada contra, tb uso qdo preciso, mas que a dor é grande, é.
Ufa!

Lais Mouriê disse...

Não há remédio para o irremediável. Só paliativos ineficazes quando o fim da noite chega. Adorei, colega de Versos de Falópio!

Salve Jorge disse...

Lucidez
Não tem vez
Ante a altivez
Com que a desfaço
Mudo o traço
Abro os braços
Para que escapem os sentidos
Verdade que tenho pouco juízo
Mas é preciso
Para expandir a percepção
Esfacelar a possibilidade de solidão
Em meio à multidão
E seus clamores oblíquos
Vamos dissolver o mundo
Com todas as miligramas
Que tiver precisão
Só deixemos o chão
E ganhemos o ar
Para prosear
Que lá sim
É o nosso lugar...

Anônimo disse...

Fantástico amiga!!!!!
Eduardo já viu?
Parabéns!
Você encanta a todos com a sua sensibilidade.

Um beijo,

C.

Ramon de Alencar disse...

...
-E a dose efetiva seria aquela que produz terapeutica em ao menos metade da amostragem. Quantos se curam pela palavra?

A Chuva de Maria

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Muadiê Maria

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