03 novembro, 2006

Então, depois de muitas batalhas morreu Zé Domingos.
Lá se foi tio Zé, a única pessoa no mundo que me chamava
de Marthinha da Bahia, ou simplesmente "Da Bahia".
Lá se foi.

Onde era pessoa,
chão
Onde era carne,
larva
Onde era olho,
escuro
Onde era sozinho,
caixão

Onde era voz,
silêncio
Onde era pernas,
imóvel
Onde era sonho,
flores
Onde era finito,
filhos

Onde era silêncio,
palavras, palavras, palavras.


Martha



4 comentários:

Bela Caleidoscopica disse...

Martha querida, Estamira é um assombro, né não?
Eu tõ atrás do filme, porque só vi trailer e ouvi o diz que diz da melhor qualidade, é claro!
...e eu tô indo pra Bahia, beibe, com a família toda, dia 26 de dezembro...lá pros lados da Baia de camumu...Pratigi é o nome do lugar. Vc tá onde mesmo?
beijos beijos

Mani disse...

Eu sinto muito!

Raiça Bomfim disse...

O que eu mais gosto é que você escreve saudade com jeito de presença (que a saudade no fundo, é sempre assim...); escreve dor com jeito de caminho, de sereno, de mulher; jeito de olho lacrimoso que tem pezinho de riso.
Gosto muito.

Clóvis Campêlo disse...

É isso aí, Marthinha da Bahia
E a morte fez-se verbo,
o vazio, conteúdo;
a ausência, uma nova maneira de estar;
e uma estranha energia no ar,
mais uma estrela no céu,
mais uma luz no infinito.
Que seja (e)terna enquanto dure!
Abraços iluminados
Clóvis Campêlo

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

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